Prazer. Golpista, Índia e Feminazi bigoduda.

Foi a favor do impeachmant? Golpista coxinha.
Defende o parto natural? Índia.
Muçulmano? Homem bomba.
Direitos das Mulheres? Feminazi bigoduda
Votou no Trump? Nazista

Rótulos. Rótulos. Rótulos. A internet está cheia deles.

Nossos pensadores contemporâneos, Reis das caixas de comentários, tem sempre algo a dizer. Normalmente algo no 8 ou no 80. Vamos julgar e dividir o mundo entre o certo e o errado? E claro, eu estou certo. Sempre.

Preguiça desse radicalismo político, filosófico e superficial que anda rolando por aí. Eu já fui dessas e me envergonho de muitos comentários passados. (In)felizmente, o histórico do Facebook não me deixa esquecer.

Tudo bem… isso se chama de evolução. E apesar de não ver muitos seres cibernéticos evoluindo por aí, eu tenho me policiado todos os dias para não soltar o “raio julgador” na criatura, com apenas meia dúzia de fatos.

A vida, as circunstâncias e o ser humano são lindamente complexos. Deveríamos aproveitar dessa diversidade para ouvir, refletir um pouco sobre essas diferenças. Talvez você perceba que está do lado errado. Ou que em algum momento esteve do lado oposto. Ou que simplesmente não existem lados.

Rótulos são bobagens. São como tapa-olhos que te cegam para as inúmeras possibilidades que existem no mundo. Rótulos tiram o melhor do ser humano, a sua individualidade.

E se ainda assim faz mais sentido pra você viver na sua caixinha de bipolaridade, go ahead. Talvez você só seja um chato mesmo. E esse rótulo eu ainda faço questão de usar.

Onde os sonhos ficam pelo caminho

Quando eu era criança, passava horas contracenando com meus amigos virtuais. Eu me espelhava nas novelas e criava meus próprios romances e aventuras. Nos altos dos meus 10 anos de idade, atuava em voz alta e deixava fluir as mais profundas emoções.

Volta e meia era flagrada por dona Zezé, a senhora que cuidava de mim enquanto minha mãe trabalhava. Discreta, ela fingia que não via aquela minha performance bastante peculiar. Dona Zezé só checava se eu não estava batendo papo com um desconhecido que entrou pela janela, dava meia volta e uma hora depois trazia o melhor bolo de laranja do universo.

Talvez ser atriz tenha sido meu primeiro grande sonho. Não lembro se em algum momento cheguei a contar isso para minha mãe. De qualquer forma, eu já sabia a resposta.

Hoje não me preocupo mais com isso. Não me frustra. Felizmente depois vieram outros sonhos. Maiores, menores, realizados ou ainda não. O que me deixa curiosa é: Porque mesmo tão nova eu desisti de um sonho? Quando uma criança, que ainda ignora boa parte das dificuldades da vida, decide deixar de lado algo que brilha os olhos? Em que momento eu racionalizei: “Bom, minha mãe é um pé no saco e não vai rolar ser atriz”?

Veja bem. Não culpo meus pais. Filha única de um casal que batalhou muito na vida. Fui criada como muitas mulheres da minha geração. Estude. Seja bem sucedida através do trabalho e conquiste sua independência financeira. Não dependa de homem. Conheça seu valor e se imponha.

Por um lado isso foi importantíssimo. Aprendi desde cedo que ser (mulher) livre é escolher seu próprio destino. Parece óbvio, mas representava uma quebra de paradigma na vida das mulheres de gerações passadas.

Por outro lado, uma criança de 10 anos automaticamente processava a informação de que sonhos precisam ser racionais. Sonhos precisam dar dinheiro. Sonhos precisam estar dentro da normalidade (o que quer que seja isso). Tão nova e eu já estava convencida que ser atriz não era compatível com uma mulher forte e bem sucedida.

Que conexão perigosa, não é mesmo? Pode sonhar, little girl, mas sonha dentro dessa área de segurança, ok?

Com certeza meus pais e muitos outros não fizeram de propósito. São comportamentos de sobrevivência da época em que viveram. Mas eu me questiono agora como não tolir involuntariamente os sonhos da minha própria filha.

Minha mãe nunca falou “não, você não pode ser atriz”. Simplesmente porque ela nunca precisou dizer e isso é o mais assustador.

 

 

Vamos falar de machismo

Eu tenho muito medo do machismo.

Não daquele machismo escancarado que manda mulher pilotar fogão. Desses eu tenho vergonha. E preguiça também.

Esse machismo já é repudiado em espaços onde a audiência tem mais de 2 neurônios. É simplesmente patético e quando eu o ignoro, vem mais 100 caindo de pau.

Eu tenho medo mesmo é do machismo velado. Aquele disfarçado de bom moço, de politicamente correto. Aquele machismo de “Gente de Bem”.

Aquele machismo que eu mesma não considerava machismo antes. Eu mesma já repudiei muitas feministas por apontar “um machismo onde não tem”. Imagina, isso é coisa de mulher que não tem o que fazer.

Aí eu fui mãe. De menina. De uma menina brasileira. De uma menina com a mesma nacionalidade das outras 13 mulheres que morrem todos os dias no país.

Aí veio a família e seus comentários. “Essa vai fazer você pagar os seus pecados, papai”. “Não furou a orelha? Tá parecendo um menininho”. “Cadê o lacinho?”. “Que lindo esse garotinho? Ah, é menina? Mas está de azul…”

Aí eu fui comprar livros pra ela. Cinderela, Branca de Neve. Hum. Todas a espera de um príncipe que as salve. Hum.

Aí ela começou a ganhar presentes. Bonecas. Panelinhas. Rosa. Rosa. Rosa.

Veja bem. Eu não tenho problema se Manu resolver se vestir inteira de rosa. Nem se ela decidir que seu maior sonho é encontrar um grande amor. Nem mesmo se ela escolher ser dona de casa em tempo integral.

Como também não tenho problema se Manu decidir ser astronauta. Ou se ela quiser jogar futebol profissionalmente. Também não vou ligar se Manu gostar de outra mulher. Ou se quiser que a chame de Manuel.

Se depender de mim, Manu fará suas próprias escolhas. E é exatamente aí que o machismo me assusta.

Porque eu sei que ao longo da sua vida, ela será podada. Suas escolhas sofrerão retaliações sutis e aparentemente inofensivas.

Fecha as pernas e senta como menina. Você já tem um namoradinho na escola? Muito curto esse vestido para uma menina de família! Você não prefere fazer ballet? Qual princesa você gosta?

E aí que o machismo começa. Tolindo “inocentemente” a liberdade de escolha das nossas meninas. Moldando comportamentos de mulheres e homens.

E é aí que a gente reforça o estereótipo que a sociedade criou para a mulher. Um estereótipo que nos coloca atrás dos homens na folha de pagamento das empresas. Que nos coloca nos noticiários como vítimas de estupro coletivo ou crime “passional”.

E se você não notou que tem alguma coisa errada na maneira como criamos nossas crianças, pára. Pensa mais um pouco. Coloca seu senso crítico pra trabalhar antes de despejar meia dúzia de frases prontas nesses comentários de Facebook.

Eu também já fui uma dessas que questionei o feminismo. Aí eu descobri que preciso dele pra garantir que a pessoa mais importante do meu mundo possa viver seu mundo mais livre.

Dificuldade até pra escolher o título

Estou num bloqueio literário. 2 anos e 4 meses depois de ser mãe, eu não consigo mais escrever. Estou-estava-tenho estado tão imersa na maternidade que parece que perdi o dom.

Enferrujei.

Estava com mil assuntos na cabeça, temas interessantes, mas as boas palavras simplesmente não vem. Só comecei a escrever este próprio texto pra ter algo no papel. Pra sentir que eu ainda consigo preencher algumas linhas.

Tudo bem. Meu plano agora é praticar.

Assim como perdi os músculos da barriga, perdi também a habilidade de escrever com fluidez. Cadê as frases geniais que surgiam de vez em quando, naquele banho mais demorado, no trânsito, ou no meio da aula de spinning?

Depois de 2 anos sem dormir direito, meus neurônios decidiram me sabotar.

Tudo bem. Meu plano agora é praticar.

E você, meu amigo, vai ser obrigado a ler textos como esse. Sem sentido, sem muito propósito. A não ser praticar.

Os Ciclos

Tão clichê quanto dizer que a vida tem Ciclos bem definidos é acreditar nisso. E eu detesto clichês. Mentira (uso e abuso de muitos deles).

Mas esse clichê em específico eu não gosto. Não concordo e nunca vivenciei Ciclos assim, como todo muito diz, com começo, meio e fim. Com aquele gostinho de ponto final.

Ciclos se misturam, se ultrapassam e alguns teimam em se sobrepor. Ciclos são teimosos, ciclos voltam de tempos em tempos. Ciclos não vivenciados, então… Aqueles que, na teimosia, você faz questão de “ignorar” em algum momento da vida, aparecem assim do nada – como se quisessem dizer “ei, você me esqueceu lá atrás”.

Ciclos precisam ser bem cuidados, demandam paciência. Não dá pra mandar um Ciclo embora quando você bem entender. Ele decide a hora de partir. Ele é sábio. Mais sábio que você, sem dúvida. E quando você enche o peito pra falar aquela famosa frase “Fechei um ciclo na minha vida”, ele está ali, bem atrás de você, rindo em gargalhadas.

Alguns ciclos são teimosos, preguiçosos. Desses que fincam raízes e, por mais que você os mande embora, eles simplesmente não vão. É aí que entra a “Hierarquia dos Ciclos”, onde um Ciclo maior na escala de poder chega de voadora e manda aquele Ciclo velho e preguiçoso pra bem longe.

Mas dentro dessa hierarquia também existem os “Ciclos Amigos” e esses, meus caros, são os piores! Um Ciclo chega encontra com o outro e começa a bater aquele papo. Você, no meio dessa prosa, acaba tendo que conviver com dois (às vezes, mais) “Ciclos brothers”. Você, perdido e muitas vezes sem autoridade pra escolher o Ciclo certo. É aí que eles aproveitam e acabam fazendo da sua vida uma verdadeira bagunça.

E aqueles Ciclos obedientes e certinhos – que todos pensam ser os melhores – são, na verdade, os mais frios e cruéis. São Ciclos criados na escola alemã de disciplina. Um chega e outro sai, na sincronia de uma marcha militar. E com esses, não tem choro nem vela. A ruptura é imediata, é aquele Ciclo com o tal do ponto final bem definido. Que chega e vai embora com a sutileza de um elefante na loja de cristais.

Por isso, meus amigos, é tão difícil lidar com os Ciclos. Não estamos preparados para eles, mas eles fazem pós graduação em como nos surpreender e superar. Eu já desisti de tentar entender onde um Ciclo começa e o outro acaba. Deixo, humildemente, que Ciclos me escolham e tento ser boazinha com eles. Decidi encarnar o bom e velho Zeca e hoje meu mantra é o libertador e confortante “Deixa a vida me levar”.

 

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A difícil arte de dizer não

Não. Repita comigo. Não (posso). Não (quero). Não (vou).

Três letrinhas fonéticamente tão simples e, ao mesmo tempo, carregadas de significados. Ouvir um não é ter que lidar com a frustação, com a decepção e mágoa. Um não descontrói, despedaça. Muda o rumo e força um movimento brusco e inesperado.

Para muitos, soltar um não – assim, na lata – parece uma missão quase impossível. Um não é díficil de dizer. Engasga. Coça a garganta. Talvez por isso, muitos sofram do que eu chamo de “nãofobia“. Uma doença altamente perigosa, que pode mascarar verdades e vontades. De uma hora pra outra, um não vira um sim. E a frustação, decepção e mágoa mudam de lado. Do receptor diretamente ao emissor.

Substituir um não pelo sim é adiar um problema. É acorvadar-se diante de um fato: um dia esse não – aí, entalado na garganta – vai sair, por bem ou por mal. Mas o nãofóbico quase sempre procura alternativas. Ele quer se esquivar do não, resolver situações com possibilidades menos traumáticas. Um “talvez“, um “vamos ver“. Ele ainda tem um portfolio de desculpas bastante extenso. Todos esses, recursos paliativos para procrastinar o tão temido momento.

Mas não tem jeito. O dia dele vai chegar. O não é teimoso, persistente. Ele quer (e precisa) ser o astro principal. Colocá-lo na coxia é simplesmente aumentar sua força e obstinação de subir ao palco.

Aí o estrago é certeiro. Depois de encarcerado um não torna-se devastador e impulsivo. Ele ganha aliados perversos. Um não – depois de dias, meses, anos – encarcerado se une a outras palavras perigosamente nocivas. E é aí que o não muda de lado com toda a sua raiva e força. Vomitado, despejado violentamente na cara do receptor.

Antes, era apenas um não, seco, duro, mas genuínamente honesto. Agora é um não (cruel, devastador, impetuoso) com um poder único de desiludir, amargurar e desconcertar.

imagem: reprodução Google

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Desliguem suas vidas e bom voo!

Ultimamente tenho andado bastante frustrada com metas não alcançadas.

São livros que não li. Lugares que não visitei. Exposições que perdi. Textos que não escrevi. Tanta frustação atinge, indiretamente, partes do meu corpo. Olheiras, unhas roídas e quilos adicionais na balança (maldição).

Outro dia ouvi alguém lendo uma notícia, que dizia algo do tipo “Em breve, vão liberar o uso de smartphones e tablets durante o pouso e decolagem“. Seguido por um comentário de alívio “Até que enfim!”. Foi aí que entendi a causa do meu problema.

A Anac? Não, cara pálida.

O excesso de informação.

O único momento de vida real que eu tinha, se foi. Durante o pouso e decolagem, aqueles raros momentos em que você estica as costas, apoia a cabeça na cadeira e pensa na vida. Esse momento, acabou.

O que eu ganho? Mais informação. Mais expectativas. Mais livros que vou baixar e não vou ler, mais exposições que vou ansiar ver e mais lugares que vou desejar visitar. Mais um check list adicional no meu pool de expectativas previamente frustradas.

Mais olheiras, menos unhas e talvez uma extensão de cinto de segurança pra usar no avião. Aí então eu curvo as costas e tensiono a cabeça para ler meu smartphone, enquanto o piloto anuncia a decolagem.

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Um título nada original para uma estréia

A pessoa dos mil e um blog acaba de criar mais um.

Sentia falta de um espaço livre, onde todas as minhas (brilhantes) idéias pudessem emergir na sua forma mais ácida. Mais apimentada.

Por aqui, caro leitor (se é que vai existir algum), minha percepção sobre a vida. A vida em geral. Com todas suas curiosidades e mulheres frutas. Com todos seus absurdos e obviedades. A vida vista do ALTO dos meus 1,58m.

Muita ideia na cabeça. Muito café na minha xícara. E muita pimenta no meu…

Bom, deixa pra lá.

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